O tempo perdeu-se no tempo.
O caminho permanece imutável à espera de ser percorrido.
A hora de partida intercepta-se com a hora de chegada!
Observo o Céu à espera de um sinal de regresso.
O Verme transforma-se numa força indomável.
Camuflado numa pele de homem, ele permanece lobo!
Finalmente um sinal, um trovejar e luzes tremeluzentes,
Anunciam o regresso, ainda não o meu.
Mais alguns minutos de rotação e a hora vai chegar.
Espera-se um novo confronto entre o Verme e Einstein.
Encontro-me novamente sentado entre centenas de janelas,
Desta vez abertas para a escuridão… apenas a Lua.
É com espanto e perplexidade que constato que o Verme está adormecido!
A fórmula , está a ser aplicada em todo o seu esplendor.
Uma grande resistência dos corpos em mudar o seu estado de movimento relativo.
Mas esta barreira está a ser quebrada, em poucos minutos estarei no ponto de partida.
O regresso.
A espera…
O vácuo temporal… mas cheio de vida.
O adormecer com a certeza do amanhã.
O acordar e recomeçar um novo dia.
O Verme ( parte 2 )
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O Verme
Sinto o Verme a corroer.
Vejo a porta pela qual vou entrar, mas não sei se há saída.
Subo as escadas e confio na insegurança.
Centenas de janelas apontam para o infinito.
Sento-me e aguardo nervosamente o tempo passar…
Olho em volta, sorrisos amarelos, olhares penetrantes, mãos crispadas e músculos tensos… é tudo o que vislumbro.
Mantenho os sentidos alerta, ao mínimo sobressalto o Verme desperta!
O tempo passa…
O Verme adormeceu… agradeço a Einstein.
Respiro o Oceano.
Alguém me espera…
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Caminhando
Escuridão,
Caminhos desertos,
A luz vaga dos candeeiros
Que iluminam o ar húmido
Desta noite infinda.
Caminho nesta rua deserta
Contemplando o silêncio da noite.
A chuva cai sob a calçada
E tudo é escuridão.
Os meus curtos passos
Levam-me para longe de tudo,
Olho em volta
E tudo são caminhos desertos.
O ar húmido sufoca o calor desta noite
Que é como tantas outras que tive na vida.
Apenas os olhos de um gato preto
São princípio de vida que ilumina o ar húmido.
Aproximo-me do meu destino
Que não sei qual é…
… eu não acredito no destino
Que fica prisioneiro desta noite infinda!
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Se(r)ntir
Mas há já muito tempo que eu não sinto.
Eu não sinto nada!!!
Não sinto Amor…
Não sinto Ódio…
Não sinto Esperança…
Não sinto Desespero…
Não sinto Medo…
Não sinto Coragem…
Não sinto Alegria…
Não sinto Tristeza…
Não sinto a Vida…
Não sinto a Morte…
Afinal quem sou Eu?
Será que Amo?
Será que Odeio?
Será que Espero?
Será que Desespero?
Será que tenho Medo?
Será que tenho Coragem?
Será que sou Alegre?
Será que sou Triste?
Será que estou Vivo?
Será que estou Morto?
Afinal sinto…
Sinto-me a Mim.
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Convite a uma desconhecida
Não faças barulho, os gatos estão a dormir.
Ouve o vento lá fora, olha… a Lua a sorrir!
Oh… o corvo bate na janela… quer entrar.
Vou fazer um café, escolhe um cd para tocar,
Abre a janela ao corvo, deixa-o vir
Ele é um amigo e nunca te vai mentir.
Ao contrário dos Humanos ele não te vai magoar.
Bahaus… boa escolha!!! O café está bom.
Queres um cigarro? Ainda tenho dois, que sorte!
Curiosa com esse livro? Fala do destino e do Dom.
Transmites-me uma sensação estranhamente forte,
Como te chamas? Porque ouço este som?
-“É o som das portas do inferno… chamo-me Morte…”
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Visão
Estou longe… estou ausente,
Onde me encontro tudo desabou.
A escuridão venceu e a Luz apagou
A vela que ilumina o presente.
Sinto o frio na Alma descendente
A gelar o sangue que coagulou.
Num desespero o tempo parou
E pede auxilio… um auxilio premente.
Tudo está em extrema ruína,
Em acelerado estado de decomposição,
Um doce cheiro nauseabundo.
Vejo… sim, vejo uma ponte fina.
Fecho os olhos e aperto as mãos,
Abro os braços e abandono este mundo.
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