Códice

Sob o negro do céu
Aguardo a tua chegada.
Tu que me proteges
Antes do golpe da espada
Na alma desferido.

Espero o sinal…
Um vermelho garrido!

Tudo vai mal…
Estou perdido…

Entre as náuseas sentidas
Simples lamentos ouvidos,
Pelos escrúpulos humanos
Em causas perdidas
Rogam a um Deus
Ou tomam outras medidas.

Sem Nexo

Observo-me ao espelho
Assusta-me o reflexo
Desta imagem sem nexo
Desta cara de velho.

Visto-me de preto
E saio para a rua
Procuro a imagem tua
Perdida neste gueto.

O sangue derramado,
Vertido neste chão
O corpo queimado.

O pulsar do coração
Vivendo odiado,
Da vida não abre mão!

Caminho

Lágrimas nascem nos meus olhos,
Seguem o rio do meu rosto
E vão desaguar no mar do desgosto
Afogando sonhos aos molhos.

Na montanha da alma
Ecoa o meu grito
Transgrido este rito
Com a serenidade da calma.

Oh Deus que és Criador
Cria o meu caminho
Com um trajecto menos sofredor!

Recuso a tua alegria e amor,
Bem sei que eu desalinho
Em busca da minha dor.

Para Ti

Percorrendo as montanhas do teu corpo
Tento atingir os cumes,
Lá do alto vejo o luar dos teus olhos.
A tua pele não sente o passar do tempo,
O teu sorriso diz o que és,
Uma flor rara... que não há aos molhos.

Nos teus cabelos voando ao vento
Sinto o significado da palavra Liberdade
Que também tanto custa a conquistar.
Por ti há quem sofra tanto
Muitas vezes no silêncio da saudade
Que só Deus sabe o quanto custa a suportar.

As tuas mãos belas e macias
Têm um toque especial,
Conseguem dar vida a tudo o que tocam!
Olhava-te enquanto sorrias,
(uns sorrisos suaves... sem mal)
Mas que tanto, tanto me sufocam.

Perto de ti o tempo pára,
As horas parecem segundos
Nem se nota que o dia avança.
A tua simplicidade é coisa rara
Parece que vens de outros mundos
Para transmitir a Paz e Segurança.

A tua voz suave e calma
Faz lembrar a inocência de uma criança
Brincando alegre no baloiço de um jardim.
Toda a pureza e verdade que tens na alma
Lembram-me que no peito o meu coração balança
E que aos poucos... já és dona de mim!

Neste mundo com tanta falta de amor
Onde tudo e nada faz sentido,
Há sentimentos que não têm explicação.
Agora vá para onde for
Sei que não ando perdido.Sabes... conquistas-te o meu coração!

Beat

Assim,
Momento abstracto e invisível
Como que vindo do nada.
Pássaros voando,
Animais incompreendidos saltando,
Tudo se passa num segundo
Ninguém se apercebe de nada
Todo o mundo
Numa lágrima salgada.
Sobe um balão
Solto pela mão de uma criança
Chorando numa feira
Em que o pai observa
Todo o cenário de dança.
O som típico de festa,
Mas todo ele em confusão
Misturado com gritos e pregões
De crianças e adultos em tensão.