A Decisão

Lembro-me como se fosse hoje.
Noite fria de Inverno, na lareira ardia a primeira lenha da noite.
Eu em pé, com o rosto colado na vidraça a observar a escuridão do vazio que passava lá fora.
Fazia pouco tempo que tinha tomado a decisão mais arriscada da minha vida, ia ser o primeiro Natal sem ti!
Ouvia de forma ténue a música que passava na rádio, uma daquelas músicas que nos remetem para as cavernas interiores que transportamos e onde expomos toda a verdade que somos, ali, sem ninguém a observar, ali, somos nós sem qualquer reserva, apenas nós e o nosso reflexo!
Sentia um forte aperto no peito, uma sensação dificil de descrever, sentia-me livre e ao mesmo tempo prisioneiro (de uma decisão), irradiava felicidade sentindo-me triste... tudo porque tinha tomado a grande decisão.
Recordava-me de ti, sabia que estavas ali tão perto, mas tão longe de mim, já não fazias parte do meu Presente.
Sentia a tua Raiva, a tua Incompreensão, a vontade que tinhas de me confrontar com a Verdade... PORQUE, PORQUE???

Hoje visitei a caverna onde enterrei essa recordação, tive a coragem que me faltou toda a vida para escavar essa memória.
É pena que tenha passado tanto tempo, agora sou apenas um velho no fim da vida.
Mas não quero partir sem te dizer a palavra que há tantos anos me atormenta a Alma... DESCULPA!